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quinta-feira, 19 de abril de 2018

câncer anal

O que é câncer anal?
São tumores que ocorrem no canal e bordas externas do ânus. Os tumores no canal do ânus são mais frequentes entre as mulheres. Os que surgem nas bordas do ânus são mais comuns nos homens. Os tumores malignos surgem em tipos diferentes de tecidos, sendo o carcinoma epidermoide responsável por 85% dos casos. O câncer anal é raro e representa de 1 a 2% de todos os tumores do aparelho digestivo e de 2 a 4% de todos os tipos de câncer que acometem o intestino grosso.

Quais são os fatores de risco?
Infecção pelo HPV (Papilomavirus humano), o número elevado de parceiros sexuais, o sexo anal receptivo, doenças sexualmente transmissíveis, infecção pelo HIV, o tabagismo e pessoas que se submeteram a transplante de órgãos. O papel das doenças inflamatórias, fístulas e fissuras anais ainda não estão muito claros.

Quais são os sinais e sintomas?
O sangramento anal é o sinal mais frequente, a sensação de coceira e desconforto anal tende a ocorrer também. Dor pélvica pode ser relatada. Lesões verrucosas podem aparecer na região anal ou externamente (borda anal). Caso o paciente apresente algum desses sintomas deverá procurar um médico para realizar o exame local, que pode incluir a anuscopia com biópsia de áreas ou lesões suspeitas.

Como prevenir este tipo de câncer?
A recomendação é que se faça uma dieta com boa ingestão de frutas, legumes e verduras e baixa ingestão de gorduras. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de cerca de 400g por dia de frutas e vegetais. A prática de exercícios físicos também pode reduzir o risco de câncer anal. O uso de preservativo (camisinha) evita o contágio com vírus e bactérias que são transmissíveis por contato sexual e estão relacionados com o desenvolvimento desse tipo de câncer. Não fumar e tratamento precoce e efetivo das doenças sexualmente transmissíveis e das fístulas anais também auxiliam na prevenção.

Como é o tratamento?
O tratamento mais comum é aquele realizado com radioterapia e quimioterapia. As chances de cura para os tumores não avançados são muito grandes. Nos casos em que não se observa resposta completa ao tratamento, ou seja, não houve cura, indica-se o tratamento cirúrgico. Para as lesões pequenas, tanto no canal anal como na borda anal, o tratamento cirúrgico é curativo na maioria dos casos, podendo-se evitar o tratamento com radioterapia e quimioterapia.

câncer de boca

O que é câncer de boca?
Câncer de boca é um tipo de tumor maligno que pode se desenvolver nas estruturas que fazem parte da boca a língua, as gengivas, as bochechas e o palato (céu da boca). Estes tumores são formados por células que se multiplicam rapidamente e descontroladamente destruindo os órgãos e se espalhando para os linfonodos do pescoço (ínguas).

Quais são os fatores de risco?
Os hábitos de fumar e beber são as principais causas. Cigarro, charuto, cachimbo e maconha estão envolvidos na formação do câncer de boca. As bebidas alcoólicas, em especial as destiladas, quando associadas ao tabagismo podem aumentar em até 4 (quatro) vezes o risco de câncer de boca. Outras causas relatadas são condições ruins de higiene da boca, alimentação pobre em frutas e verduras frescas e fatores genéticos.

Quais são os sinais e sintomas?
O câncer de boca geralmente apresenta-se como uma área endurecida, com uma ferida no centro, sangrante. Geralmente é muito doloroso prejudicando a fala e a alimentação. Outros sintomas são: aumento dos linfonodos do pescoço, dor de ouvido, dor de garganta e dentes amolecidos.

Como prevenir este tipo de câncer?
Não fumar, beber o mínimo ou não beber, cuidar bem da higiene da boca, visitas frequentes ao dentista para cuidados dentários e alimentação rica em frutas e verduras minimizam muito a chance de uma pessoa ter câncer de boca.

Como é o tratamento?
O principal tratamento do câncer de boca é com a cirurgia. Quando os tumores estão em uma fase avançada é necessário uma combinação de tratamentos como cirurgia, radioterapia e até quimioterapia.

Câncer da cabeça e pescoço

Funções da boca e da garganta

A boca e a garganta participam de vários processos importantes para o ser humano: respiração, fala, alimentação, mastigação e deglutição.

O que é o câncer de boca?
Normalmente o câncer de boca se apresenta como uma ferida que não cicatriza que pode ser dolorosa ou não. Pode ocorrer nos lábios, no revestimento interno da boca (mucosa bucal), nas  gengivas, na língua, na parte da boca que fica debaixo da língua (assoalho da boca), o céu da boca (palato duro) e a área atrás dos dentes do siso – conhecido como o trígono retromolar.

O que é o câncer de garganta?
A garganta é um termo popular que engloba as regiões da orofaringe, hipofaringe e laringe. O câncer orofaríngeo é o que se desenvolve na parte da garganta localizada atrás da boca (conhecida como orofaringe). Essa região inclui a base da língua (a parte de trás da língua), o palato mole, as amídalas, os pilares, as paredes laterais e posteriores da orofaringe.

A hipofaringe é a região da faringe que se localiza inferiormente à orofaringe e fica atrás da laringe (caixa da voz ou Pomo de Adão), que é um órgão que contem as pregas vocais responsável pela produção da voz que se fecha quando comemos e se abre quando respiramos. A orofaringe é um órgão onde passa o ar e os alimentos.

O câncer de garganta, portanto, pode ser notado nas regiões citadas, como uma ferida que não cicatriza.
Sobre o câncer de cabeça e pescoço.

No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) são esperados em 2010, cerca de 14.120 mil novos casos de câncer de boca, sendo 10.330 em homens e 3.790 em mulheres. Não existem estatísticas específicas sobre câncer de garganta.

No Hospital de Câncer de Barretos em 2009, foram registrados 835 casos relacionados cabeça e pescoço, na somatória de todas as partes diferentes afetadas pela região.

Os locais mais comuns de câncer na boca são: língua (26%) e os lábios (23%) - principalmente o inferior. Outros 16% são encontrados no assoalho da boca e 11% nas glândulas salivares menores. O restante é encontrado nas gengivas e outros locais. Esses cânceres podem ocorrer em pessoas jovens, mas são raros em crianças. Cerca de um terço dos pacientes têm menos de 55 anos.

A incidência de câncer de boca varia em diferentes regiões mundiais. Ele é muito mais comum na França, Hungria e Índia, por exemplo, do que nos Estados Unidos - e raro em países como o México e no Japão. Cientistas que estudam a doença atribuem essas diferenças a fatores de risco ambientais e comportamentais.

Nos países em desenvolvimento, os cânceres de boca estão entre os mais comuns. No Brasil, é o quinto em incidência entre os homens e os tumores em sua grande maioria, são diagnosticados em estado avançado e apenas 20% são detectados precocemente, durante exame médico ou odontológico.

câncer do Corpo Uterino (Endométrio)

O que é câncer do Corpo Uterino (Endométrio)?
O câncer do corpo uterino é a 8a neoplasia maligna mais frequente nas mulheres, excetuando-se os tumores de pele não-melanoma, que acomete a região do endométrio, tecido fonte da menstruação e responsável por abrigar o feto durante a gestação. Também são considerados tumores do corpo uterino as neoplasias malignas originadas do tecido estromal do útero, sendo os principais representantes os leiomiossarcomas e os sarcomas do estroma endometrial.

Quais são os fatores de risco?
O principal fator de risco associado com o câncer de endométrio é um excesso de hormônio estrogênio circulante na corrente sanguínea (hiperestrogenismo). Os fatores associados ao hiperestrogenismo são: obesidade, uso inadequado da terapia de reposição hormonal, menarca precoce, menopausa tardia e nuliparidade. Outro fator de risco associado ao câncer de endométrio é a diabetes mellitus.

Como realizar o diagnóstico precoce?
Apesar de não ter uma recomendação para a prevenção do câncer do corpo uterino na população geral, este tipo de câncer pode ser na maioria dos casos diagnosticados no estágio inicial. Pois seu quadro clínico em estágios iniciais é muito marcante. O quadro é de sangramento vaginal em mulheres menopausadas. Toda mulher na menopausa que apresenta sangramento vaginal deverá investigar se esta causa de sangramento não é um câncer de endométrio. Em mulheres que ainda não chegaram à menopausa, o diagnóstico do câncer de endométrio é mais desafiador, e necessitará de uma investigação clínica minuciosa do ginecologista, frente a um caso de sangramento uterino disfuncional.

Como é o tratamento?
O tratamento do câncer do endométrio na grande maioria das vezes é cirúrgico, sendo retirado todo o útero, os ovários e avaliada a necessidade de ressecção das ínguas (linfonodos) próximas ao útero (pélvicos e retroperitoneais). Em algumas situações específicas haverá a necessidade de tratamento complementar com radioterapia e/ou quimioterapia.

câncer de ovário

O que é câncer de ovário?
O câncer de ovário é a 7a neoplasia maligna mais frequente nas mulheres, excetuando-se os tumores de pele não-melanoma. Esse tipo de câncer surge nos ovários, tubas uterinas ou peritônio (tecido que reveste por dentro a cavidade abdominal).

Quais são os fatores de risco?
O principal fator de risco para câncer de ovário é o risco genético. Mulheres que apresentam mutação hereditária nos genes BRCA 1 e BRCA 2, possuem um risco aumentado para o desenvolvimento do câncer de mama e do câncer de ovário. Outros fatores relacionados com o câncer de ovário possuem menor conhecimento científico, como a endometriose, a infertilidade e fatores relacionados ao processo de ovulação. Porém já é bastante estudado a proteção conferida pelo uso de anticoncepcional, diminuindo o risco de surgir o câncer de ovário.

Como realizar o diagnóstico precoce?
O diagnóstico precoce do câncer de ovário é um desafio para todos os ginecologistas, visto que nos estágios iniciais os sintomas apresentados são muito vagos (empachamento, sensação de peso, discretas alterações intestinais ou urinárias) e confundem-se com sintomas relacionados a alimentação, hábito intestinal ou psicossomáticos. A recomendação é que qualquer alteração abdominal por mais leve que seja, que persista por mais de uma ou duas semanas deverá ser investigada para excluir um câncer de ovário.
Já no estágio avançado, o câncer de ovário costuma se apresentar com o aumento do volume abdominal e a presença de massas abdominais palpáveis, causando intenso desconforto abdominal, dificuldade para alimentar-se e para respirar.

Como é o tratamento?
O tratamento do câncer de ovário se baseia em duas premissas. Primeiro que este tumor costuma apresentar uma boa sensibilidade à quimioterapia com Carboplatina e Paclitaxel. E segundo, que a cirurgia tem um importante papel em diminuir a quantidade de tumor para a menor possível, para que a quimioterapia apresente um efeito máximo e duradouro. Portanto o tratamento se baseia na cirurgia citorredutora (reduz o volume de doença) associada à quimioterapia. Quanto a iniciar com a cirurgia ou com a quimioterapia, fica a critério de uma avaliação clínica rigorosa por parte do oncologista e do cirurgião.

câncer de Pâncreas

O que é o câncer de Pâncreas?

O pâncreas é responsável não só pela produção de suco gástrico como também é responsável pela produção de hormônios, como a insulina. O carcinoma ductal do pâncreas é originado das células que recobrem os ductos pancreáticos por onde o suco pancreático é conduzido até ser secretado no duodeno. Este é o tipo mais comum e também o mais agressivo de câncer de pâncreas. Outros tipos, como os tumores neuro-endócrinos, são menos agressivos e mais raros.
A agressividade do câncer de pâncreas vêm de suas habituais disseminações linfática (acometendo gânglios linfáticos ao redor da lesão) e também hematogênica (disseminação de células tumorais para órgãos à distância através da corrente sanguínea).

Quais são os fatores de risco?
Os principais fatores de risco para carcinoma ductal de pâncreas são tabagismo (fumo) e história de pancreatite crônica (geralmente por consumo prolongado de álcool).

Quais são os sinais e sintomas?
Os sintomas mais frequentes são perda de peso, dor na parte superior do abdômen, icterícia (amarelão da pele e olhos). Além disso, anorexia (perda de apetite) e graus variados de desnutrição podem estar presentes a depender do quão avançada se encontra a doença. A icterícia se dá pela obstrução do colédoco (ducto de drenagem das vias biliares do fígado que carregam a bilirrubina). Devido à compressão ou invasão do colédoco por lesões na cabeça do pâncreas, há acúmulo de bilirrubina e esta passa para circulação sanguínea e seus derivados acumulam-se nos tecidos levando a cor amarelada da pele e das escleras, deixando os olhos amarelados.

Como prevenir este tipo de câncer?
Este é um tipo de câncer bastante relacionado a hábitos de vida, apesar de mesmo pacientes sem história de tabagismo ou ingesta alcóolica poderem apresentar. Sendo assim, a melhor maneira de evitá-los é com hábitos de vida saudáveis evitando fumo e ingesta de álcool. Não há uma justificativa para realização de exames de imagem em pacientes assintomáticos na população. Mas se com a realização destes exames houver a identificação de alguma lesão pré-maligna, estas podem ser seguidas com exames de imagem de rotina ou mesmo operadas a depender de sua apresentação.

Como é tratamento?
O tratamento do câncer de pâncreas depende do tipo de tumor, localização, o quão avançado ele se encontra e do estado geral de saúde do paciente. A cirurgia isolada pode propiciar um tratamento com intenção curativa nas fases iniciais. Mas muitas vezes, faz-se necessário o tratamento complementar com radioterapia e quimioterapia, ou só quimioterapia, que pode ser feito antes ou após cirurgia, a depender da apresentação inicial.

câncer de pênis

O câncer de pênis é neoplasia que acomete o pênis. É uma patologia relativamente rara, mas no Brasil, ocorre uma das maiores incidências do mundo.

É uma doença que assusta muito, pois seu tratamento é mutilante, uma vez que é necessária a amputação (retirada) de parte do pênis ou, em alguns casos, do órgão inteiro.

Porém é muito fácil evitá-la. Basta que se faça a higiene adequada do órgão masculino.

Os principais fatores de risco para esse câncer são o esmegma (aquele “sebo” branco que se acumula na glande – “cabeça do pênis”) e a fimose (quando o prepúcio – pele que recobre a glande – é muito “apertado” e não permite a exposição da glande). Como a fimose impede a visualização da glande, não é possível lavá-la, acumulando “sujeira”, que leva ao risco de formar o câncer do pênis.

Assim, no caso de fimose em você ou seu filho, procure um urologista para o tratamento adequado.

E lembre-se de lavar corretamente seu pênis. Puxe o prepúcio (pele), expondo completamente a glande (“cabeça do pênis”) e lave com água e sabão neutro, ao tomar banho e após relações sexuais. Depois, enxugue a região. Também é importante puxar a pele quando for urinar, para não acumular urina na região.

câncer de testículo

O câncer de testículo é a neoplasia maligna mais comum em homens com menos de 45 anos de idade. Apesar de acometer pessoas geralmente jovens, há uma grande chance de cura na maior parte dos casos.

A criptorquidia (quando um deles ou ambos testículos não descem para a bolsa escrotal) é o principal fator de risco. Todos os homens que têm esse problema devem procurar um urologista para tratamento adequado.

O sintoma encontrado é um nódulo (“caroço”) endurecido e geralmente sem dor, além do aumento progressivo do testículo. Esse sintoma também pode ocorrer em outras doenças, como em inflamações. De qualquer modo é necessário procurar um médico para melhor avaliação.

É importante a detecção precoce. Para tanto, deve-se estimular os homens, principalmente os jovens e adultos a fazer o auto-exame do testículo. Ao tomar banho, é só palpar os testículos e observar a presença de nódulos (“caroços duros”) nos testículos. Caso encontre algo errado, procure um urologista para melhor avaliação.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Câncer de estômago

Os tumores malignos do estômago também são chamados de câncer gástrico e se apresentam em três tipos: adenocarcinomas (responsáveis por 95% dos casos), linfomas (3% dos casos) e leiomiossarcomas (tumor muito raro, sem estimativa da incidência).

1. Qual a função do Estômago?

O estômago é um órgão em forma de “J” situado na parte superior abdômen. Faz parte do sistema digestivo, cuja responsabilidade é processar os alimentos ingeridos, extraindo deles nutrientes (vitaminas, minerais, carboidratos, gorduras, proteínas e água). Os alimentos são conduzidos da garganta para o estômago, através de um tubo oco, muscular, chamado esôfago. Após deixar o estômago, os alimentos parcialmente digeridos passam para o intestino delgado e depois para o intestino grosso (cólon).

A parede do estômago é constituída por três camadas de tecido: a camada mucosa (camada que fica em contato com os alimentos), a camada muscular (camada média), e a camada serosa (externa, a que reveste o estômago).

2. O que é o Câncer do Estômago?

O Câncer de Estômago (ou Câncer Gástrico) é o crescimento de células anormais no órgão desse sistema digestivo e pode ocorrer em qualquer local de sua extensão.  Grande parte desse tipo de tumor ocorre na camada mucosa (a camada de revestimento interna), surgindo na forma de irregulares pequenas lesões com ulcerações (rompimento do tecido mucoso) - características de cânceres ou tumores malignos.

Conforme a evolução do câncer, essas células anormais vão gradualmente substituindo o tecido normal do órgão, propagando-se para outras camadas do estômago e podendo acometer órgãos vizinhos (metástase por contigüidade).

O câncer de estômago é o segundo tumor maligno mais freqüente do mundo, tendo incidência alta no Leste Europeu, Japão, na América do Sul (principalmente no Chile e Colômbia) e na América Central (Costa Rica). Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), 21.500 casos novos serão diagnosticados ainda esse ano, sendo 13.820 homens e 7.680 mulheres.

Excluindo-se os cânceres de pele, o adenocarcinoma do estômago em homens é o segundo câncer mais freqüente nas regiões Norte (11/100.000) e Nordeste  (9/100.000)  e  o  terceiro  nas  regiões  Sul  ( 24/100.000), Sudeste (21/100.000)  e Centro-Oeste (13/100.000). Para as mulheres é o terceiro mais freqüente na região Norte (6/100.000), o quarto no Nordeste (5/100.000) e o quinto nas regiões Centro-Oeste (6/100.000), Sudeste (11/100.000) e Sul (12/100.000) (INCA, 2004). É a segunda causa de morte por câncer entre os homens no Estado de São Paulo (FONSECA, LAM, 1996).

Na Fundação Pio XII - Hospital do Câncer de Barretos, no ano de 2009, o adenocarcinoma gástrico foi o quarto câncer mais freqüente, com 414 novos casos, precedido pelos cânceres da próstata (1008 casos), mama (866 casos) e pulmão (405 casos).

Com o pico incidência em homens de idade mais avançada (cerca de 65% dos pacientes diagnosticados tem idade superior a 50 anos), o câncer de estômago está em terceiro lugar  na incidência entre homens e quinto, entre as mulheres.

3. Tipos de Câncer de Estômago

O câncer do estômago geralmente inicia-se nas células da camada mucosa (camada interna em contato com os alimentos) e se propaga através das camadas mais externas à medida que cresce.

Os tumores do estômago se apresentam, predominantemente, na forma em alguns tipos histológicos: adenocarcinoma (responsável por 95% dos tumores), linfoma (diagnosticado em cerca de 3% dos casos) e leiomiossarcoma (iniciado em tecidos que dão origem aos músculos e aos ossos).

Adenocarcinoma

O adenocarcinoma é um tipo de câncer (neoplasia maligna) que possui características secretórias, se originando em tecido glandulares. É o terceiro tumor maligno mais freqüente no mundo depois do câncer de pulmão e da mama - de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer. A sua incidência tem diminuído nos países ocidentais, mas mesmo assim continua como uma das causas principais de morte no mundo.

Estatísticas japonesas recentes mostram que o câncer gástrico no Japão é responsável pela segunda causa de morte entre os homens e a principal entre as mulheres. Entretanto, nas duas últimas décadas, a taxa de mortalidade devido ao câncer gástrico tem diminuído no Japão e em alguns países ocidentais, devido ao diagnóstico mais precoce, à técnica cirúrgica mais agressiva, às drogas quimioterápicas mais efetivas e aos cuidados com o paciente (NAKAJIMA,T; 2005).

Linfoma

O linfoma é um tipo de câncer que tem origem nos linfonodos (glânglios) por todo o corpo, principalmente no timo, baço, amídalas, medula óssea e tecidos linfáticos no intestino. Assim como outros tipos de linfomas, eles são divididos em subtipos complexos entre Linfoma de Hodgdkin e Linfoma Não Hodgkin.

O linfoma do estômago apresenta uma incidência baixa (3% dos cânceres do estômago), podendo ser dividido em dois tipos:

Linfoma gástrico MALT (Musoca-associated lymphoid tissue) – É um tipo de linfoma associado a mucosa constituída por células pequenas e com baixo grau de malignidade.

O segundo tipo é um linfoma de células grandes e com alto grau de malignidade, mas com uma incidência muito rara (quando comparada com o Linfoma Gástrico MALT).

Leiomiosarcoma

O Leiomiosarcoma é um dos tumores benignos da musculatura lisa do estômago, geralmente localizados em qualquer órgão também. Sua incidência é baixa.

Pólipos Gástricos

O pólipo é o nome dado a um crescimento anormal de um tecido advindo de uma membrana mucosa. Desenvolve-se nas cavidades de uma mucosa, podendo ter diferentes constituições e formatos. No estômago, os pólipos podem ser divididos em Adenoma e Pólipos Hiperplásicos.

a) Adenoma


Consiste em nódulos de epitélio displásico. Ocorrem quase que exclusivamente no antro (porção inicial do estômago), fazendo parte da Síndrome de Gardner (um transtorno genético que ocasiona a presença de múltiplos pólipos) ou gastrite crônica atrófica crônica (condição em que as células da mucosa do estômago são diminuídas, prejudicando a produção do ácido gástrico responsável pela digestão dos alimentos).

A maioria dos carcinomas associados ao adenoma gástrico são maiores que 2 cm de diâmetro. Acredita-se que são necessários 10 a 15 anos para um adenoma se transformar em carcinoma.

b) Pólipos hiperplásicos:

São os mais comuns pólipos do estômago (50 a 90% dos pólipos gástricos) e dois terços deles ocorrem no antro (porção inicial do estômago). A anormalidade básica é a hiperplasia (aumento excessivo do número de células) e eles se desenvolvem na mucosa gástrica atrófica. Pode haver associação com o H pylori. O tratamento é a remoção endoscópica ou cirúrgica.
Tumores carcinóides

Representam 3% de todos os tumores carcinóides gastro intestinais.  Existem três subtipos de tumor carcinóide no estomago:
Carcinóide associado com gastrite atrófica crônica do tipo A com ou sem anemia perniciosa:

A gastrite do tipo A é causada por anticorpos contra as células parietais e o fator intrínseco, agindo na mucosa fúndica causa atrofia glandular acloridria e eventualmente anemia perniciosa. Metástases à distância e linfonodais são incomuns. Segundo Rindi e Col (1994), este tumor é relativamente benigno, e a ressecção endoscópica ou cirúrgica incluindo a área de mucosa produtora de gastrina (antrectomia) parece apropriada.
Carcinóide associado com a síndrome de Zollinger-Ellison

A síndrome de Zollinger-Ellison é o nome dado ao distúrbio causado por níveis excessivos do hormônio gastrina. A presença excessiva deste hormônio, por sua vez, faz o estômago produzir ácido clorídrico em excesso.

Esse distúrbio pode gerar um tipo de tumor que representa 8,6% dos tumores carcinóides gástricos e ocorrem quase que exclusivamente em pacientes com síndrome MEN-1 (Neoplasia Endócrina Múltipla). A hipergastrinemia está associada com o gastrinoma no pâncreas. O tratamento consiste em remover o gastrinoma ou a gastrectomia total.
Tumor carcinóide de forma esporádica

Não associados ao excesso de gastrina, esse tipo corresponde a 25% dos tumores carcinóides gástricos e têm um prognóstico pior que os tumores carcinóides associados à gastrite atrófica crônica e a síndrome de Zollinger-Ellinson. Como os tumores geralmente são grandes e a doença mais avançada, o tratamento necessita de cirurgia associada a radio e quimioterapia.

4. Quais os sintomas do Câncer de Estômago?

Estes sintomas podem caracterizar o câncer gástrico, mas outras condições ou doenças também podem causar os mesmos sintomas.


Dor epigástrica. (região central do abdômen – “boca do estômago”)

Sensação de “estômago cheio” após as refeições e perda do apetite durante as refeições

Emagrecimento.

Vômitos.

Vômitos com sangue.

Azia intensa

Diarréia

Constipação

Fadiga e Fraqueza

Fezes com sangue ou muito escurecidas (tipo borra de café)

Dificuldade para se alimentar.

Deve-se tomar cuidado, pois esses sintomas muitas vezes não são percebidos pelos pacientes e só se tornam evidentes quando o tumor atinge um tamanho suficiente para diminuir o espaço de passagem do alimento.

Existem sintomas comuns em estágios avançados, como o emagrecimento intenso (caquexia) e pele e olhos amarelados pelo acúmulo do material metabólico de bilirrubina (icterícia). O paciente com câncer de estômago em estágios avançados também pode sentir dor quando o estômago é palpado.

Se você notar a persistência de qualquer um dos sintomas acima, é indicado procurar um médico especialista na área gástrica como um gastroenterologista ou gastrenterologista

5. Prevenção de Câncer de Estômago

Por ser um órgão que recebe diretamente os alimentos, a dieta é um fator essencial para a prevenção do câncer de estômago. O consumo excessivo de certo tipo de alimentos, suas conservações e a ausência de alguns deles, podem corroborar a formação de um tumor. Abaixo relacionamos quais são essas condutas alimentares:

Ingestão excessiva de nitritos e nitratos – Os nitritos e nitratos podem ser encontrados em carnes e peixes em que se utiliza o método secagem para sua preservação – utilizado, por exemplo, em alimentos defumados. O nitrito ao ser recebido no estômago, transforma-se em nitrosaminas, substâncias altamente cancerígenas.

Evitar o consumo excessivo de alimentos enlatados, defumados, corantes ou alimentos conservado em sal

Evitar o consumo de alimentos guardados fora da geladeira ou mal conservados

Evitar o consumo de água com poços com altas concentrações de nitrato

Evitar ter uma alimentação carente das vitaminas A e C

Consumo regular de carnes e peixes.

Consumo de frutas e verduras frescas, contendo ácido ascórbico e beta caroteno. Esses elementos são benéficos por evitar que os nitritos se transformem em nitrosaminas.

6. Fatores de risco de Câncer de Estômago

Fatores de risco para câncer gástrico incluem o seguinte:

Infecção do estômago por Helicobacter pylori - Também conhecida como H. Pylori são bactérias que vivem no estômago humano, responsáveis por alguns tipos de gastrite, úlcera e cancros. Seu formato permite atravessar com facilidade a camada de muco protetora do epitélio gástrico.

Gastrite crônica (inflamação do estômago).

Realização de cirurgia para úlcera.

Anemia perniciosa – Distúrbio que pode acasionar facilitação ou dificuldade de absorção da vitamina B12 pelas células gástricas parietais (responsáveis pela liberação de ácido hidroclorídrico).

Metaplasia intestinal (uma condição na qual o revestimento normal do estômago passa a ser do tipo de células que revestem o intestino).

Polipose adenomatosa familiar (PAF) - Condição hereditária que gera inúmeros pólipos no intestino grosso.

Pólipos gástricos.

Tabagismo.

Tabagismo associado ao consumo de álcool

Ter uma mãe, pai, irmã ou irmão que teve câncer de estômago.

7. Diagnóstico do Câncer de Estômago

Exames de sangue - bioquímica: um procedimento em que uma amostra de sangue é coletada para medir a quantidade de certas substâncias liberadas no sangue, órgãos e tecidos do organismo. Uma quantidade alterada (superior ou inferior à normal) de uma substância pode ser um sinal de doença no órgão ou tecido que a produz. Nesse procedimento, o Hemograma completo (um procedimento em que uma amostra do sangue é extraída e analisada) procura verificar:

O número de glóbulos vermelhos (hemáceas, que carregam o oxigênio), os glóbulos brancos (células de defesa) e plaquetas (responsáveis por ajudar a conter sangramentos).

A quantidade de hemoglobina (proteína que transporta oxigênio) nas células vermelhas do sangue.

Endoscopia

Um procedimento para examinar o interior do esôfago, estômago e duodeno (primeira parte do intestino delgado) para verificar a ocorrência de áreas anormais. Um endoscópio (um tubo fino e iluminado) é passado através da boca e da garganta para o esôfago.

Sangue oculto nas fezes:

Um teste para verificar a presença de sangue oculto nas fezes, que só pode ser visto com a ajuda de um microscópio. Pequenas amostras de fezes são colocadas em placas especiais e é feita a sua análise no laboratório.

EED

É uma série de raios-x do esôfago e do estômago. O paciente bebe um líquido (contraste) que contém uma substância (bário) que os raios-X não conseguem atravessar, fazendo desse modo, que seja possível enxergar melhor os órgãos a serem analisados. Este procedimento também pode ser chamado de seriografia gastrointestinal superior (seriografia do esôfago, estômago e duodeno) quando estes três órgãos são analisados.

Biópsia

é a remoção de amostras de células ou tecidos para possibilitar a análise através de um microscópio por um médico patologista para verificar se há sinais de câncer ou algum outro tipo de doença. A biópsia geralmente é feita durante a endoscopia. Às vezes, uma biópsia pode mostrar alterações no estômago que não são câncer, mas que podem levar ao câncer.

TC (Tomografia Computadorizada)

Exame no qual são feitas uma série de imagens detalhadas de áreas no interior do corpo, tomadas de ângulos diferentes. As imagens são feitas por um computador ligado a uma máquina de raios-X. Um contraste pode ser injetado em uma veia, ingerido, ou ainda injetado através do reto para ajudar os órgãos ou tecidos a aparecem mais claramente.

8. Estadiamento do Câncer de Estômago

Os seguintes exames e ou procedimentos podem ser utilizados no processo de estadiamento, entretanto nem todos os exames abaixo descritos são necessários a todos os pacientes:

Exames de β-hCG (Beta-gonadotrofina coriônica humana), CA-125 e CEA (Antígeno carcinoembrionário):

Os exames que medem os níveis de β-hCG, CA-125 e CEA no sangue. Essas substâncias são liberadas na corrente sangüínea tanto por células sadias, quanto por células cancerígenas. Quando encontrados em quantidades mais elevadas do que normal, esses elementos podem representar um sinal de câncer gástrico ou outras doenças.

Radiografia de tórax

Um raio X da órgãos e ossos dentro do peito. Um raio-x é um tipo de raio de energia que pode atravessar o corpo e realizar um retrato de áreas dentro do corpo.

Ultrassonografia endoscópica

Um procedimento em que um endoscópio é inserido no corpo, geralmente através da boca. Um endoscópio é um instrumento fino, de forma tubular, com uma luz e uma lente para a visão. A sonda na ponta do endoscópio é usada para produzir ondas sonoras de alta energia (ultra-som) e fazer ecos. Os ecos formam imagens dos tecidos do corpo possibilitando a avaliação do médico. Este procedimento também é chamado endossonografia.

TC (tomografia computadorizada):

Exame no qual são feitas uma série de imagens detalhadas de áreas no interior do corpo, tomadas de ângulos diferentes. As imagens são feitas por um computador ligado a uma máquina de raios-X. Um contraste pode ser injetado em uma veia, ingerido, ou ainda injetado através do reto para ajudar os órgãos ou tecidos a aparecem mais claramente.

Laparoscopia:

Um procedimento cirúrgico para olhar os órgãos dentro do abdômen para checar sinais de doença. Pequenas incisões (cortes) são feitas na parede do abdômen e um laparoscópio (um tubo fino e iluminado) é inserido em uma das incisões. Outros instrumentos podem ser inseridos através das incisões para realizar procedimentos como a remoção de amostras de tecidos para se pesquisar sinais de doença. Pode também, em alguns casos, realizar-se parte da cirurgia para tratamento por esse método.

PET Scan (Tomografia por emissão de pósitrons scan):

Um exame que combina a tomografia computadorizada e uma espécie de cintilografia. É utilizada uma substância radioativa (fluordesoxiglicose – FDG), que é injetada por uma veia e é mais absorvida por células tumorais, fazendo com que o câncer possa ser diagnosticado ou analisado com grande precisão.

9. Tratamento do Câncer de Estômago

Três tipos de tratamento padrão são usados:

Cirurgia

Cirurgia é o tratamento mais comum para todos os estágios do câncer de estômago. Os seguintes tipos de cirurgia podem ser utilizados:

Gastrectomia subtotal

Remoção de parte do estômago que contém o câncer, linfonodos próximos, tecidos ou órgãos que possam estar acometidos pelo tumor.

Gastrectomia total:

Remoção de todo o estômago, os linfonodos próximos, parte do esôfago, duodeno e outros tecidos próximos ao tumor. O baço pode ser removido. O esôfago é ligado ao intestino delgado para que o paciente possa continuar a comer e engolir.

Se o tumor está obstruindo o estômago, mas o câncer não pode ser completamente removido por cirurgia, pode se realizar a colocação de uma prótese (um tubo fino e expansível), realizado através de endoscopia, a fim de manter uma passagem para o alimento.

Radioterapia

A radioterapia é um tratamento contra o câncer que utiliza tipos de radiação para matar células cancerígenas ou impedi-las de crescer. Existem dois tipos de radioterapia. A terapia de radiação externa, a mais comum, utiliza uma máquina para enviar radiação para o câncer. Na terapia de radiação interna (braquiterapia) a substância radioativa é colocada diretamente em contato com o tecido tumoral.
Quimioterapia

Quimioterapia é um tratamento de câncer que usa medicamentos (remédios) para parar o crescimento das células cancerosas, matá-las ou impedí-las de se dividir. Quando a quimioterapia é tomada via oral ou injetada numa veia ou músculo, os fármacos entram na corrente sangüínea e podem atingir as células cancerosas por todo o corpo (quimioterapia sistêmica).

Quando a quimioterapia é colocada diretamente na coluna vertebral, um órgão ou uma cavidade do corpo, como o abdômen, as drogas afetam principalmente as células do câncer nessas áreas (quimioterapia regional). A forma como a quimioterapia é dada depende do tipo e estágio do câncer a ser tratado.

câncer é contagioso?

Não, não existe nenhum tipo de câncer em si que seja contagioso, mas há doenças infecciosas que podem elevar o risco de câncer e algumas delas são transmitidas através do contato com líquidos corpóreos, como secreções vaginais, sêmen e sangue. Saiba mais sobre agentes infecciosos na página sobre Fatores de Riscos no nosso site.
O câncer não é contagioso e por isso não pode ser transmitido de uma pessoa para outra como ocorre com a gripe ou catapora por exemplo. Existem alguns vírus que são capazes de causar câncer, como o vírus da hepatite B e o HPV, que podem transmitidos por contato sexual, transfusões de sangue e/ou seringas compartilhadas, porém nem todos os infectados irão desenvolver câncer.